Diário, Áustria, 25 de Setembro de 2005

Estava um dia radiante com o céu limpo e um sol brilhante.    Estou em Viena!
A cidade é muito clara, tem muita luz. Atravessei o rio Danúbio, passeei pelo jardim no centro da cidade, onde se encontra a estátua de Mozart e Bethoven, o Palácio de Schonbrunn, onde há exuberantes jardins com um lindo lago.
Fui também ao museu da Sissi, onde se encontra várias peças de vestuário da Princesa com algumas fotografias, de seguida fui à Catedral de Santo Estêvão com um estilo de arquitectura gótico. Já no fim do dia, fui jantar ao hotel, onde comi um sobremesa
Catedral de Santo Estêvão
muito apreciada em Viena – o apfelstrudel, um torta
de maçã e canela, que gostei muito.
Mais tarde, fui de novo ao Palácio de
Schonbrunn, para ir à ópera. Foi a primeira vez, que
assisti a algo deste género, logo em Viena e numa sala
tão imponente como esta, toda em talha dourada, com
umas pinturas no tecto. UAU! Sentámo-nos numas
cadeiras também douradas muito bonitas, a sala estava
reservada para nós e éramos um grupo de umas trinta
pessoas.
Eu estava muito animada e expectante com
todo este ambiente em volta para começar a ver o
espectáculo e ouvir a música clássica ou erudita.
No palco já se encontrava uma orquestra, depois
entraram dois cantores – um homem e uma mulher, e também dois        bailarinos. Foi arrepiante, como eles cantaram e me transmitiram tanta emoção. Apercebi-me que a música que eles estavam a interpretar é uma “história” de amor com muito sofrimento, foi magnífico todo o espectáculo, ADOREI!
Por tudo isto, jamais vou esquecer aquele momento.
Palácio de Schonbrunn
 Célia Casquilho.

Diario,Lisboa18 de Julho de 1983

Pela milésima vez olho o relógio. A meia noite tinha acabado de chegar e já era 18 de Julho de 1983.
Como o tempo passava devagar.
Lá dentro, uma mulher, hora após hora, lutava para trazer ao mundo, um novo ser, e eu, cá fora, longe e tão perto dela, ansiava e recordava os últimos meses que tinham alterado toda a minha vida.
Desde o dia em que a tinha conhecido tudo tinha mudado e, quando a boa nova chegou, foi como nascer de novo para a vida e para o amor.
Meses de ansiedade, semanas de preocupação, dias de angústia e agora estas horas infindas, passadas num corredor de hospital, onde quem passava, olhava e dizia:
..." Vai para casa, que logo te telefono quando houver novidades"...
E ela como está ?  Era a pergunta mil vezes repetida, a todas as suas colegas que podiam entrar pela porta que eu tanto olhava de longe e queria também atravessar.
Meia noite e cinco.  -Só passaram cinco minutos ?
Muitos outros continuaram a passar, noite fora, até o cansaço vencer e alguém me abanar.
..."Acorda, Acorda, vem ver o teu rapaz. Sai ao Pai, já me disse a Mãe"...
E o relógio que tinha avançado todos os cinco minutos, marcava já as nove da manhã.
Um novo dia tinha nascido, e, com ele o sonho de uma nova vida também.

Fernando Dias

Aeroporto 1975

São 2 horas da manhã. Acabo de chegar de uma longa viagem de 8 horas de avião, inesperada e sem  saber o meu destino. Estou confusa e abismada com tanta gente no aeroporto! Pessoas que penso estarem na mesma situação que eu. Uns choram, outros procuram aflitos por alguém que saiba das suas famílias.
Estou cheia de frio, pois venho de um país tropical, onde não estava habituada a usar muitos agasalhos. Tenho 11 anos e não compreendo bem o porquê desta viagem. Oiço dizer que Angola se vai tornar um país independente daqui a 2 meses e no Lobito, cidade onde nasci e vivi até esta data. Lá em casa ouvia os meus pais dizerem que se tinha dado em Portugal uma revolução à qual chamavam de 25 de Abril. Por isso tinhamos que regressar ao país de origem dos meus pais, à metrópole, a Portugal. Só que aqui não tenho ninguém porque a minha família está em Angola há gerações.
Neste momento, só sei que estou sozinha com a minha mãe. Deixei  em Angola com muita tristeza, o meu irmão, o meu pai e restante familia. Não sei quando os irei voltar a ver!
Sozinhas, vamos começar uma vida nova em Portugal. Um país que nos é totalmente desconhecido.



Aeroporto, 10 de Setembro de 1975.
 Paula Martinho.   1 B.C

Albufeira 2 Março de 2004

O despertador toca uma ,duas, três vezes e eu levanto-me muito ensonado.
Visto-me à pressa, agarro num pão que estava em cima da mesa da cozinha, dou uma dentada e parto um dente. A manhã começa mal. Saio para trabalhar, o tempo está muito nublado e frio. Quando chego ao trabalho o meu chefe apercebe-se da minha cara de mal disposto. Depois de eu lhe contar o que se passou, foi buscar um tubo de cola e disse.
- Anda cá, deixa colar o dente.-
E assim andou toda a manhã a gozar comigo.
Quando acabei de carregar os electrodomésticos saí para a distribuição. Passadas umas duas horas recebo um telefonema. A minha esposa tinha dado entrada no hospital de Portimão para ter a bebé. Larguei tudo, dirigi-me ao hospital, e ao chegar fui logo informado que já se encontrava em trabalho de parto. Quis assistir, claro.
Ela estava muito calma, eu pelo contrário,nervoso. Quando a bebé começou a nascer cai para o lado, recuperei, a enfermeira apercebeu-se, mandou-me sair e disse
Quem precisa de apoio é a sua esposa e não você.
A minha esposa pediu-me para ir buscar a roupa dela e da bebé . Vim a Albufeira sete vezes buscar roupa. A bebé nasceu com cabelo preto e com 47 cm de comprimento, e 4 quilos. A felicidade era tanta que mandei logo mensagem aos meus amigos.
Quando chegou à noite, fui festejar com os meus amigos e familiares, e muitas taças de vinho do Porto.