São 2 horas da manhã. Acabo de chegar de uma longa viagem de 8 horas de avião, inesperada e sem saber o meu destino. Estou confusa e abismada com tanta gente no aeroporto! Pessoas que penso estarem na mesma situação que eu. Uns choram, outros procuram aflitos por alguém que saiba das suas famílias.Estou cheia de frio, pois venho de um país tropical, onde não estava habituada a usar muitos agasalhos. Tenho 11 anos e não compreendo bem o porquê desta viagem. Oiço dizer que Angola se vai tornar um país independente daqui a 2 meses e no Lobito, cidade onde nasci e vivi até esta data. Lá em casa ouvia os meus pais dizerem que se tinha dado em Portugal uma revolução à qual chamavam de 25 de Abril. Por isso tinhamos que regressar ao país de origem dos meus pais, à metrópole, a Portugal. Só que aqui não tenho ninguém porque a minha família está em Angola há gerações.
Neste momento, só sei que estou sozinha com a minha mãe. Deixei em Angola com muita tristeza, o meu irmão, o meu pai e restante familia. Não sei quando os irei voltar a ver!
Sozinhas, vamos começar uma vida nova em Portugal. Um país que nos é totalmente desconhecido.
Aeroporto, 10 de Setembro de 1975.
Paula Martinho. 1 B.C
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