Pela milésima vez olho o relógio. A meia noite tinha acabado de chegar e já era 18 de Julho de 1983.
Como o tempo passava devagar.
Lá dentro, uma mulher, hora após hora, lutava para trazer ao mundo, um novo ser, e eu, cá fora, longe e tão perto dela, ansiava e recordava os últimos meses que tinham alterado toda a minha vida.
Desde o dia em que a tinha conhecido tudo tinha mudado e, quando a boa nova chegou, foi como nascer de novo para a vida e para o amor.
Meses de ansiedade, semanas de preocupação, dias de angústia e agora estas horas infindas, passadas num corredor de hospital, onde quem passava, olhava e dizia:
..." Vai para casa, que logo te telefono quando houver novidades"...
E ela como está ? Era a pergunta mil vezes repetida, a todas as suas colegas que podiam entrar pela porta que eu tanto olhava de longe e queria também atravessar.
Meia noite e cinco. -Só passaram cinco minutos ?
Muitos outros continuaram a passar, noite fora, até o cansaço vencer e alguém me abanar.
..."Acorda, Acorda, vem ver o teu rapaz. Sai ao Pai, já me disse a Mãe"...
E o relógio que tinha avançado todos os cinco minutos, marcava já as nove da manhã.
Um novo dia tinha nascido, e, com ele o sonho de uma nova vida também.
Fernando Dias
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