Meu querido diário. Hoje foi mais um dia de escola normal, entretanto as aulas acabaram e eu fui para casa fazer os trabalhos de casa, a minha mãe ainda me ajudou a fazê-los porque eu havia coisas que não percebia. Quando acabei de fazer os trabalhos de casa fui lanchar e ver um pouco de televisão. Passado um bocado a minha mãe chamou-me para irmos a casa da minha avó e eu lá fui apaguei a televisão e fui com ela. Quando lá cheguei estava a minha bisavó Joaquina a fazer a sua renda.
Como de costume dei-lhe um beijinho e ela contou-me as suas histórias de vida, e eu fiquei como sempre com os olhos a brilhar e muito empolgada.
Adoro as histórias da minha avó Joaquina.
Foi então que eu me lembrei e disse-lhe:
"Vó, posso ensinar-lhe a ler e a escrever?" E ela olhou para mim riu-se fez-me uma festinha na cara e disse: "Podes minha filha, mas a avó já tá muito velhinha para aprender a ler e a escrever." E eu respondi:"Não tá nada avó, então eu vou buscar o caderno e o livro e eu vou ensiná-la a escrever e a ler."
Sentei-me e comecei a ensinar as vogais e, por incrível que pareça, a minha avó conseguiu aprender as vogais. Depois ela desistiu e disse-me que já não conseguia mais porque também já não via muito bem, mas eu fiquei tão contente porque afinal, com apenas 8 anos eu ainda consegui ensinar alguma coisa à minha bisavó. Bem foi um dia muito cansativo, mas adorei este dia maravilhoso.
Inês Pereira, 2º AE
Diário, Áustria, 25 de Setembro de 2005
Estava um dia radiante com o céu limpo e um sol brilhante. Estou em Viena!
A cidade é muito clara, tem muita luz. Atravessei o rio Danúbio, passeei pelo jardim no centro da cidade, onde se encontra a estátua de Mozart e Bethoven, o Palácio de Schonbrunn, onde há exuberantes jardins com um lindo lago.
Fui também ao museu da Sissi, onde se encontra várias peças de vestuário da Princesa com algumas fotografias, de seguida fui à Catedral de Santo Estêvão com um estilo de arquitectura gótico. Já no fim do dia, fui jantar ao hotel, onde comi um sobremesa
muito apreciada em Viena – o apfelstrudel, um torta
de maçã e canela, que gostei muito.
Mais tarde, fui de novo ao Palácio de
Schonbrunn, para ir à ópera. Foi a primeira vez, que
assisti a algo deste género, logo em Viena e numa sala
tão imponente como esta, toda em talha dourada, com
umas pinturas no tecto. UAU! Sentámo-nos numas
cadeiras também douradas muito bonitas, a sala estava
reservada para nós e éramos um grupo de umas trinta
pessoas.
Eu estava muito animada e expectante com
todo este ambiente em volta para começar a ver o
espectáculo e ouvir a música clássica ou erudita.
No palco já se encontrava uma orquestra, depois
entraram dois cantores – um homem e uma mulher, e também dois bailarinos. Foi arrepiante, como eles cantaram e me transmitiram tanta emoção. Apercebi-me que a música que eles estavam a interpretar é uma “história” de amor com muito sofrimento, foi magnífico todo o espectáculo, ADOREI!
Por tudo isto, jamais vou esquecer aquele momento.
Célia Casquilho.
A cidade é muito clara, tem muita luz. Atravessei o rio Danúbio, passeei pelo jardim no centro da cidade, onde se encontra a estátua de Mozart e Bethoven, o Palácio de Schonbrunn, onde há exuberantes jardins com um lindo lago.
Fui também ao museu da Sissi, onde se encontra várias peças de vestuário da Princesa com algumas fotografias, de seguida fui à Catedral de Santo Estêvão com um estilo de arquitectura gótico. Já no fim do dia, fui jantar ao hotel, onde comi um sobremesa
| Catedral de Santo Estêvão |
de maçã e canela, que gostei muito.
Mais tarde, fui de novo ao Palácio de
Schonbrunn, para ir à ópera. Foi a primeira vez, que
assisti a algo deste género, logo em Viena e numa sala
tão imponente como esta, toda em talha dourada, com
umas pinturas no tecto. UAU! Sentámo-nos numas
cadeiras também douradas muito bonitas, a sala estava
reservada para nós e éramos um grupo de umas trinta
pessoas.
Eu estava muito animada e expectante com
todo este ambiente em volta para começar a ver o
espectáculo e ouvir a música clássica ou erudita.
No palco já se encontrava uma orquestra, depois
entraram dois cantores – um homem e uma mulher, e também dois bailarinos. Foi arrepiante, como eles cantaram e me transmitiram tanta emoção. Apercebi-me que a música que eles estavam a interpretar é uma “história” de amor com muito sofrimento, foi magnífico todo o espectáculo, ADOREI!
Por tudo isto, jamais vou esquecer aquele momento.
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| Palácio de Schonbrunn |
Diario,Lisboa18 de Julho de 1983
Pela milésima vez olho o relógio. A meia noite tinha acabado de chegar e já era 18 de Julho de 1983.
Como o tempo passava devagar.
Lá dentro, uma mulher, hora após hora, lutava para trazer ao mundo, um novo ser, e eu, cá fora, longe e tão perto dela, ansiava e recordava os últimos meses que tinham alterado toda a minha vida.
Desde o dia em que a tinha conhecido tudo tinha mudado e, quando a boa nova chegou, foi como nascer de novo para a vida e para o amor.
Meses de ansiedade, semanas de preocupação, dias de angústia e agora estas horas infindas, passadas num corredor de hospital, onde quem passava, olhava e dizia:
..." Vai para casa, que logo te telefono quando houver novidades"...
E ela como está ? Era a pergunta mil vezes repetida, a todas as suas colegas que podiam entrar pela porta que eu tanto olhava de longe e queria também atravessar.
Meia noite e cinco. -Só passaram cinco minutos ?
Muitos outros continuaram a passar, noite fora, até o cansaço vencer e alguém me abanar.
..."Acorda, Acorda, vem ver o teu rapaz. Sai ao Pai, já me disse a Mãe"...
E o relógio que tinha avançado todos os cinco minutos, marcava já as nove da manhã.
Um novo dia tinha nascido, e, com ele o sonho de uma nova vida também.
Fernando Dias
Como o tempo passava devagar.
Lá dentro, uma mulher, hora após hora, lutava para trazer ao mundo, um novo ser, e eu, cá fora, longe e tão perto dela, ansiava e recordava os últimos meses que tinham alterado toda a minha vida.
Desde o dia em que a tinha conhecido tudo tinha mudado e, quando a boa nova chegou, foi como nascer de novo para a vida e para o amor.
Meses de ansiedade, semanas de preocupação, dias de angústia e agora estas horas infindas, passadas num corredor de hospital, onde quem passava, olhava e dizia:
..." Vai para casa, que logo te telefono quando houver novidades"...
E ela como está ? Era a pergunta mil vezes repetida, a todas as suas colegas que podiam entrar pela porta que eu tanto olhava de longe e queria também atravessar.
Meia noite e cinco. -Só passaram cinco minutos ?
Muitos outros continuaram a passar, noite fora, até o cansaço vencer e alguém me abanar.
..."Acorda, Acorda, vem ver o teu rapaz. Sai ao Pai, já me disse a Mãe"...
E o relógio que tinha avançado todos os cinco minutos, marcava já as nove da manhã.
Um novo dia tinha nascido, e, com ele o sonho de uma nova vida também.
Fernando Dias
Aeroporto 1975
São 2 horas da manhã. Acabo de chegar de uma longa viagem de 8 horas de avião, inesperada e sem saber o meu destino. Estou confusa e abismada com tanta gente no aeroporto! Pessoas que penso estarem na mesma situação que eu. Uns choram, outros procuram aflitos por alguém que saiba das suas famílias.Estou cheia de frio, pois venho de um país tropical, onde não estava habituada a usar muitos agasalhos. Tenho 11 anos e não compreendo bem o porquê desta viagem. Oiço dizer que Angola se vai tornar um país independente daqui a 2 meses e no Lobito, cidade onde nasci e vivi até esta data. Lá em casa ouvia os meus pais dizerem que se tinha dado em Portugal uma revolução à qual chamavam de 25 de Abril. Por isso tinhamos que regressar ao país de origem dos meus pais, à metrópole, a Portugal. Só que aqui não tenho ninguém porque a minha família está em Angola há gerações.
Neste momento, só sei que estou sozinha com a minha mãe. Deixei em Angola com muita tristeza, o meu irmão, o meu pai e restante familia. Não sei quando os irei voltar a ver!
Sozinhas, vamos começar uma vida nova em Portugal. Um país que nos é totalmente desconhecido.
Aeroporto, 10 de Setembro de 1975.
Paula Martinho. 1 B.C
Albufeira 2 Março de 2004
O despertador toca uma ,duas, três vezes e eu levanto-me muito ensonado.
Visto-me à pressa, agarro num pão que estava em cima da mesa da cozinha, dou uma dentada e parto um dente. A manhã começa mal. Saio para trabalhar, o tempo está muito nublado e frio. Quando chego ao trabalho o meu chefe apercebe-se da minha cara de mal disposto. Depois de eu lhe contar o que se passou, foi buscar um tubo de cola e disse.
- Anda cá, deixa colar o dente.-
E assim andou toda a manhã a gozar comigo.
Quando acabei de carregar os electrodomésticos saí para a distribuição. Passadas umas duas horas recebo um telefonema. A minha esposa tinha dado entrada no hospital de Portimão para ter a bebé. Larguei tudo, dirigi-me ao hospital, e ao chegar fui logo informado que já se encontrava em trabalho de parto. Quis assistir, claro.
Ela estava muito calma, eu pelo contrário,nervoso. Quando a bebé começou a nascer cai para o lado, recuperei, a enfermeira apercebeu-se, mandou-me sair e disse
Quem precisa de apoio é a sua esposa e não você.
A minha esposa pediu-me para ir buscar a roupa dela e da bebé . Vim a Albufeira sete vezes buscar roupa. A bebé nasceu com cabelo preto e com 47 cm de comprimento, e 4 quilos. A felicidade era tanta que mandei logo mensagem aos meus amigos.
Quando chegou à noite, fui festejar com os meus amigos e familiares, e muitas taças de vinho do Porto.
Visto-me à pressa, agarro num pão que estava em cima da mesa da cozinha, dou uma dentada e parto um dente. A manhã começa mal. Saio para trabalhar, o tempo está muito nublado e frio. Quando chego ao trabalho o meu chefe apercebe-se da minha cara de mal disposto. Depois de eu lhe contar o que se passou, foi buscar um tubo de cola e disse.
- Anda cá, deixa colar o dente.-
E assim andou toda a manhã a gozar comigo.
Quando acabei de carregar os electrodomésticos saí para a distribuição. Passadas umas duas horas recebo um telefonema. A minha esposa tinha dado entrada no hospital de Portimão para ter a bebé. Larguei tudo, dirigi-me ao hospital, e ao chegar fui logo informado que já se encontrava em trabalho de parto. Quis assistir, claro.
Ela estava muito calma, eu pelo contrário,nervoso. Quando a bebé começou a nascer cai para o lado, recuperei, a enfermeira apercebeu-se, mandou-me sair e disse
Quem precisa de apoio é a sua esposa e não você.
A minha esposa pediu-me para ir buscar a roupa dela e da bebé . Vim a Albufeira sete vezes buscar roupa. A bebé nasceu com cabelo preto e com 47 cm de comprimento, e 4 quilos. A felicidade era tanta que mandei logo mensagem aos meus amigos.
Quando chegou à noite, fui festejar com os meus amigos e familiares, e muitas taças de vinho do Porto.
Introdução do ALBUM DE MEMORIAS
Este álbum de memórias surgiu na sequência do trabalho desenvolvido nas aulas de CLC (Cultura Língua e Comunicação) do curso EFA, na turma 1º FB.
O desafio inicial foi convidar cada aluno a apresentar à turma uma memória a partir de uma fotografia ou objecto pessoais. Sugeriu-se que procurassem espaços e ambientes de um passado mais ou menos longínquo mas, que essas memórias remetessem para momentos marcantes e que tivessem contribuído para o crescimento individual e para a construção da identidade. Esta foi a premissa!
O resultado deste desafio superou as expectativas e as memórias partilhadas foram de uma riqueza, de um colorido e de uma diversidade difíceis de esquecer.
Um grande grupo centrou-se nas memórias de férias de uma infância feliz na “terra dos avós” e no testemunho de um passado rural e de um Portugal interior que já não existe. São registos de vivências, de costumes, de cheiros e paladares muito diferentes do mundo citadino.
Outros referiram momentos familiares mais ou menos conturbados, testemunhos reais de um tempo histórico e social que se viveu em Portugal: a guerra colonial, o 25 de Abril e a descolonização.
Outros ainda foram buscar as suas memórias a momentos marcantes do quotidiano das populações como o Carnaval, as festas populares ou, ainda, os usos e costumes de há 30 anos.
Perante este material o desafio passou a ser outro, o de expandir essas Memórias, pesquisando os seus contextos históricos, sociais e culturais.
O resultado está aqui, para deleite de todos os que folhearem e se interessarem por este trabalho.
Quanto a mim só tenho a acrescentar que foi um privilégio conduzir estas actividades e participar neste produto final. Para um professor, ter um grupo de alunos como estes, que vão para além do esperado e que ultrapassam as expectativas mais optimistas, é um prazer. Isso foi o que claramente aconteceu aqui.
Loures, 21 de Junho de 2010
Gabriela Alves
O desafio inicial foi convidar cada aluno a apresentar à turma uma memória a partir de uma fotografia ou objecto pessoais. Sugeriu-se que procurassem espaços e ambientes de um passado mais ou menos longínquo mas, que essas memórias remetessem para momentos marcantes e que tivessem contribuído para o crescimento individual e para a construção da identidade. Esta foi a premissa!
O resultado deste desafio superou as expectativas e as memórias partilhadas foram de uma riqueza, de um colorido e de uma diversidade difíceis de esquecer.
Um grande grupo centrou-se nas memórias de férias de uma infância feliz na “terra dos avós” e no testemunho de um passado rural e de um Portugal interior que já não existe. São registos de vivências, de costumes, de cheiros e paladares muito diferentes do mundo citadino.
Outros referiram momentos familiares mais ou menos conturbados, testemunhos reais de um tempo histórico e social que se viveu em Portugal: a guerra colonial, o 25 de Abril e a descolonização.
Outros ainda foram buscar as suas memórias a momentos marcantes do quotidiano das populações como o Carnaval, as festas populares ou, ainda, os usos e costumes de há 30 anos.
Perante este material o desafio passou a ser outro, o de expandir essas Memórias, pesquisando os seus contextos históricos, sociais e culturais.
O resultado está aqui, para deleite de todos os que folhearem e se interessarem por este trabalho.
Quanto a mim só tenho a acrescentar que foi um privilégio conduzir estas actividades e participar neste produto final. Para um professor, ter um grupo de alunos como estes, que vão para além do esperado e que ultrapassam as expectativas mais optimistas, é um prazer. Isso foi o que claramente aconteceu aqui.
Loures, 21 de Junho de 2010
Gabriela Alves
Memórias sobre o 25 de Abril de 1974
Após o desafio lançado pela professora resolvi entrevistar os meus pais, com uma breve entrevista telefónica sobre o 25 de Abril de 1974, visto que na altura tinha somente 11 anos e muitos aspectos passavam-me ao lado ou então estavam muito esquecidos.
Estas foram as questões colocadas:
Onde estavam quando se deu o 25 de Abril?
Nesse dia estávamos a trabalhar, nem demos por isso, porque vivíamos numa aldeia longe da confusão, que se passava em Lisboa.
Que recordações guardam desse dia?
Poucas, só o que ouvíamos na rádio.
Como se vivia naquele tempo?
Como em qualquer aspecto da vida quotidiana, a alimentação dependia da classe social e, em muitos casos também, do local onde se habitava. Nós, éramos naturais do campo e as pessoas comiam coisas diferentes das da cidade. Comia-se pouco fora de casa e não havia muitos restaurantes com preços acessíveis. Ir comer fora era uma festa, própria de acontecimentos a celebrar. A alimentação obedecia a padrões que mostravam pouca variedade e era muito simples. Predominava a sopa e o pão. Quase sempre existia uma deficiência nutritiva, devido à falta de proteínas
O vestuário era variado e complicado. Tu usavas calções. Por volta dos 10/11 anos, começaste a usar calças. Com as calças usavas uma camisa branca, ou às riscas. Se fazia frio, vestias um pullover ou uma camisola de manga comprida, frequentemente tricotada por mim ou pela tua irmã, (mais velha 10 anos). Os sapatos levavam protectores na biqueira para proteger o calçado e não se estragarem tão depressa.
Que mudanças trouxe a Revolução para a vida das pessoas da região?
O cinema conquistou a aldeia e o animatógrafo chegou. Permitiu a diversão das camadas mais jovens. A maior parte dos filmes passados era de produção indiana. Além disso chegaram também as carrinhas da biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian, que permitia pôr a leitura em dia e “viajar” no espaço e no tempo.
Outros divertimentos eram as festas e os bailes locais, que facilitavam o convívio, a diversão e os namoricos.
Que significado teve para vocês esta data?
Lembro-me que nos inícios de 1974, o clima de descontentamento e agitação era grande. O povo português sentia-se desiludido pela liberalização do regime e pela interminável Guerra Colonial.
O fim da ditadura parecia a única solução para resolver estes problemas. Na noite de 24 para 25 de Abril, desencadeou-se o golpe militar sobre a iniciativa do MFA (Movimento das Forças Armadas, também conhecido por “movimento dos capitães).
Conseguindo controlar pontos-chave da cidade de Lisboa, na altura muito distante de nós, o MFA apenas encontrou alguma resistência por parte da PIDE/DGS.
Mãe: A revolução triunfou, o que ouvi com satisfação na rádio e também falavam dos cravos colocados nos canos das espingardas. Ainda hoje, constituem um dos símbolos da Revolução, símbolo da alegria pelo derrube de um regime repressivo que tinha durado 48 anos.
A Revolução de Abril trouxe a Portugal uma onda de euforia, que cortou com a melancolia do período anterior. A geração libertada vai aderir rapidamente às modas americanas e europeias. Agora a voz do povo fazia-se ouvir. A rádio e a televisão transmitiam acesos debates políticos.
A juventude comemorava a liberdade nas ruas. Contudo, a euforia da liberdade trouxe alguns excessos!
A crença na possibilidade da reforma agrária levou à ocupação de casas e campos e ao desrespeito pela propriedade privada.
Deve-se à Revolução do 25 de Abril de 1974 a reconquista da liberdade e a instauração do regime democrático, em que hoje vivemos, razão porque este acontecimento constitui para o País um dos factos históricos mais importantes da História actual.
Após a entrevista aos meus pais, recordei alguns acontecimentos que me pareciam muito distantes e lembro-me, quando era pequeno do rádio sempre presente em casa, que tocava e onde se ouviam as notícias censuradas pela DGS.
Actualmente, quando converso com a minha esposa e comparando a minha alimentação com a dela, que viveu junto de Lisboa, existe uma grande diferença. Ela desde sempre comeu iogurtes da Ucal e os iogurtes não chegavam à minha aldeia natal, localizada a cerca de 150 Kms de Lisboa. Hoje com os meios e vias de comunicação estamos próximos da capital, mas naquela altura não era assim.
Ainda bem que os tempos mudaram e o meu filho pode usufruir de outras coisas e essencialmente viver em democracia e liberdade.
Gostaria de terminar com este poema de José Carlos Ary dos Santos, As Portas que Abril abriu.
Era uma vez um pais
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Ora passou-se porém
que dentro deum povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Agora ninguiém mais cerra
as portas que Abril abriu!
Manuel Dias dos Santos 1ºFB
Memória de Infância
Quando eu tinha cerca de 4 anos recebi um novo brinquedo, uma bola vermelha e azul com várias aberturas para encaixar peças com formas geométricas. A partir desse dia aquela bola ía comigo para todo o lado. As únicas vezes que ficava mais esquecida era quando ia para casa dos meus avós paternos, que viviam num monte sem água canalizada, nem luz eléctrica no Alentejo, em Fronteira.
Quando os meus pais nos informavam (a mim e á minha irmã) que iamos para os meus avós eu ficava muito feliz, pois divertia-me sempre muito porque os meus avós viviam com 4 primos todos mais velhos.
Como os dias eram compridos e tinhamos a liberdade do campo, passávamos os dias a inventar brincadeiras. À noite, um dos passatempos favoritos era apanhar pirilampos e colocá-los num frasco para dar luz.
Um dia, ou melhor uma noite, o meu pai teve a ideia de ligar à bateria do carro um fio eléctrico com uma lâmpada e quando esta acendeu foi uma festa, porque foi a primeira vez que houve luz naquela casa.
Ainda hoje nos recordamos desse dia.
Hoje, os meus avós já cá não estão, o monte já tem luz eléctrica e água canalizada mas já não passamos lá férias porque não vive lá ningém.
Quando os meus pais nos informavam (a mim e á minha irmã) que iamos para os meus avós eu ficava muito feliz, pois divertia-me sempre muito porque os meus avós viviam com 4 primos todos mais velhos.
Como os dias eram compridos e tinhamos a liberdade do campo, passávamos os dias a inventar brincadeiras. À noite, um dos passatempos favoritos era apanhar pirilampos e colocá-los num frasco para dar luz.
Um dia, ou melhor uma noite, o meu pai teve a ideia de ligar à bateria do carro um fio eléctrico com uma lâmpada e quando esta acendeu foi uma festa, porque foi a primeira vez que houve luz naquela casa.
Ainda hoje nos recordamos desse dia.
Hoje, os meus avós já cá não estão, o monte já tem luz eléctrica e água canalizada mas já não passamos lá férias porque não vive lá ningém.
Aventuras no Rio
Nasci no final da década de 50 e passei a minha infância em Tramaga, uma aldeia onde a água era da fonte, a ceia servida junto à lareira e a luz vinha do candeeiro a petróleo. As casas arrumadinhas, caiadas de branco eram alongadas pelos pomares que desciam em socalcos até ao rio.
Vivia com os meus pais e quatro irmãs no seio de uma família alargada com primos, tios e avós. Na cumplicidade de sermos cinco irmãs com idades aproximadas, criávamos o nosso próprio programa de variedades imitando os nossos artistas da rádio. Assim, as "Cinco" ainda meninas, eram convidadas a subir ao palco para abrilhantar as festas anuais da aldeia.
Acordava com o cantar do galo. Bebia café, comia o pão e o queijo feitos pela minha mãe e ovos fritos com chouriço da criação da casa. Apanhava tangerinas, laranjas, romãs, lúcia-lima, erva-cidreira e fazia fogueiras de alecrim. Ainda hoje adoro aqueles cheiros!
Pela manhã ouvia cair água dos alcatruzes de um poço onde avencas cresciam nas paredes interiores e dançavam ao ritmo da nora. Daí saía água para a rega que o meu pai fazia com sabedoria de mestre, pois dar vida à terra era uma das formas de sustentabilidade da família.
No pátio da Escola Primária, à sombra das acácias, as crianças brincavam com alegria no recreio, enquanto no largo da aldeia os homens ganhavam o dia a tirar cortiça.
Recordo a fonte, com a sua imponente escadaria, de branco caiada em dias de romaria e enfeitada com arcos de canas verdes e flores coloridas. À tardinha, mulheres e raparigas, com cântaros de barro à cabeça levavam água para casa. Ali, por vezes se combinavam encontros para alguns namoricos.
Recordo a fonte, com a sua imponente escadaria, de branco caiada em dias de romaria e enfeitada com arcos de canas verdes e flores coloridas. À tardinha, mulheres e raparigas, com cântaros de barro à cabeça levavam água para casa. Ali, por vezes se combinavam encontros para alguns namoricos.
Ao coaxar das rãs escondidas nos agriões descíamos a ladeira e então, entre choupos e salgueiros, pedras e pedrinhas da ribeira, encontrávamos refúgio para as nossas aventuras.
Hoje, posso dizer que a atitude positiva e optimista que tenho perante o mundo se deve ao facto de ter crescido num ambiente tranquilo e sereno.
Margarida Policarpo
TARDE DE VERÃO ACIDENTADA
Era hábito subir às árvores, mas nesse dia, as coisas complicaram-se. O que sucedeu foi o seguinte. Andávamos a atirar pedras para os pés uns aos outros quando atirei uma pedra que fez ricochete no chão e acertou na cabeça de um rapaz do prédio. Perante a gravidade do acto refugiei-me no cimo de uma árvore com medo da vingança. Eu era uma rapariga e tinha ferido o orgulho do Manel, um rapaz mais velho que não se iria ficar.
E eu tinha razão. O Manel despeitado tinha uma pequena lâmina e como eu estava empoleirada na árvore não encontrou melhor maneira de exercer a sua vingança do que passar e fazer-me um pequeno corte na nádega.
Acabámos os dois a chorar, numa visita forçada ao Centro de Saúde, acompanhados pelas respectivas mães. Esta experiência mudou a nossa maneira de pensar e de brincar e começamos a ter mais cuidado com as brincadeiras.
Aquele bando de miúdos que nós éramos ainda hoje continua a dar-se e ainda soltamos gargalhadas quando recordamos aquela tarde de verão acidentada.
Anabela Roberto
1FB
A FARDA DO ULTRAMAR
A minha memória leva-me aos tempos em que era criança e o Carnaval era a festa do ano que mais gostava. Adorava mascarar-me e todos os anos tinha uma farda diferente… fada, espanhola, nazarena, pescadora... mas a máscara que mais memória me traz é a farda da tropa. Tenho um enorme carinho e respeito por esta farda porque está na minha família há 38 anos. Não só pela antiguidade mas por saber a quem pertenceu e pela época em que foi usada.Quando o meu pai regressou da guerra do ultramar e trouxe a sua farda, a minha mãe decidiu encurtá-la incluindo os acessórios como o cinto, boina, quico e as divisas de 1º cabo. Isto, para que a minha irmã a pudesse vestir no Carnaval e, assim, ficar com uma recordação daqueles tempos em que se vivia na incerteza se ele regressaria são e salvo. Hoje agradecemos a Deus pelo meu pai ter regressado do ultramar (caso contrário não estaria aqui a contar a minha memória) pelo menos sem problemas físicos porque os traumas, esses, ainda hoje vivem com ele.
Olhando para trás é engraçado ver que esta farda já vestiu 3 gerações da minha família. É já no próximo ano de 2011 que o meu filhote vai ter o privilégio de vestir a farda do avô. Esta será sempre mais do que uma simples recordação. É um bem precioso que pretendo passar aos meus filhos, netos, bisnetos...para que nunca passem aquilo que o meu pai passou.
1ª FB
Mónica Janeiro
Mónica Janeiro
As férias da minha infância
Durante a minha infância as férias eram passadas com os meus pais e os meus irmãos (a minha irmã mais velha e o meu irmão mais novo). Fazíamos imensos passeios mas, onde íamos com maior frequência era para o Alvorge, uma aldeia situada algures entre Condeixa e Ansião, distrito de Coimbra. Os meus avós paternos apesar de morarem na zona de Lisboa têm também uma casa grande e centenária naquela aldeia.
Recordo-me perfeitamente de ser criança e sentir a calma que aquele lugar transmitia, de correr por aquele quintal, que na altura para o meu tamanho, me parecia enorme. De tentar regar as plantas da minha falecida bisavó vezes sem conta enquanto ela me perseguia desesperadamente para evitar que eu lhe destruísse por completo o jardim. Também recordo perfeitamente o som do sino da igreja que tocava ao longe de hora em hora.
O lugar era tão calmo que os automóveis quase nunca passavam, e por esse motivo, os meus pais deixavam-nos andar de bicicleta sozinhos por aquela rua que não tinha alcatrão, tinha apenas uma estrada de pedra de origem romana.
Já há bastante tempo que não visito aquela aldeia. Desde que a minha bisavó faleceu que a casa não é habitada e, hoje em dia, já não tenho nenhum motivo que me leve até lá.
Marta Azevedo
Recordo-me perfeitamente de ser criança e sentir a calma que aquele lugar transmitia, de correr por aquele quintal, que na altura para o meu tamanho, me parecia enorme. De tentar regar as plantas da minha falecida bisavó vezes sem conta enquanto ela me perseguia desesperadamente para evitar que eu lhe destruísse por completo o jardim. Também recordo perfeitamente o som do sino da igreja que tocava ao longe de hora em hora.
O lugar era tão calmo que os automóveis quase nunca passavam, e por esse motivo, os meus pais deixavam-nos andar de bicicleta sozinhos por aquela rua que não tinha alcatrão, tinha apenas uma estrada de pedra de origem romana.
Já há bastante tempo que não visito aquela aldeia. Desde que a minha bisavó faleceu que a casa não é habitada e, hoje em dia, já não tenho nenhum motivo que me leve até lá.
Marta Azevedo
Menina dos caracois
Quando tinha mais ou menos 6 anos de idade apanhei a mania de ter o cabelo encaracolado. Fui tão insistente, fiz tanta birra que a minha mãe lá decidiu fazer-me a vontade e levou-me ao cabeleireiro onde fiz a minha primeira permanente....
Eu senti-me belissima, tão contente, que a minha mãe me vestiu um vestido todo pomposo e fomos tirar umas fotos...
Eu estava felicíssima porque me sentia uma senhora crescida.
O problema é que os caracois tinham vindo para ficar e, cada vez que e penteava chorava porque o cabelo ficava embaraçado e magoava. Tive então de esperar que crescesse para finalmente o poder cortar e acabar com este tormento, o que demorou uns bons meses.
Tal não foi o desespero que nunca mais fiz outra permanente na minha vida e já lá vão muitos anos...
Ana Sofia Serra 1ºFB
A SEMENTE DO MAR...
Sou fruto da semente de amor puro,
Mas gerei intensas e quotidianas atribulações
Que sossegaram e se evaporaram
Que sossegaram e se evaporaram
Apenas com um materno e doce olhar;
Um sorriso único e sincero, que me preenche
E ilumina todos os dias da minha existência.
Sou árvore de raízes de um amor incondicional
Que me deram e que darei a quem me rodeia
Enquanto viver.
Ainda sinto a leveza do meu corpo salgado
E flutuante, naquele delicioso e eterno banho
De mar… puro, cristalino e genuinamente belo,
Como o magnífico cenário que me cercava.
Que enorme ligação e estrondosa felicidade…
No mar sim, reencontrei-me e reencontro-me
Com a minha essência, as minhas raízes…
E com Deus!
Lá sim, sou feliz… lá quero mergulhar,
Naquela imensidão de Paz e Harmonia…
Lá quero viver para sempre e as minhas cinzas
Oferecer-lhe, quando deste mundo
Oferecer-lhe, quando deste mundo
Desaparecer.
Com quatro anos apenas descobri o meu tesouro,
Um verdadeiro enamoramento pelo mar…
E aprendi que ao saber nadar,
Era mais feliz que cada dia ao caminhar…
E naqueles fortes braços paternos, entre gargalhadas,
Bastantes "pirolitos" e rasgados sorrisos do mesmo sangue,
Encontrei o sonho que reside para sempre no meu coração…
A semente do mar… a semente de amar.
Marta Isabel Carolino
1º. FB
Memórias da Festa da minha Aldeia
Todos os anos faz-se uma festa em honra da Nossa Senhora da Salvação em Vila-de-Rei, Bucelas.
Estávamos em Agosto de 1963. A minha mãe costurou à mão um vestido novo para eu levar à festa e enrolou-me papelinhos no cabelo para me fazer caracóis e o meu pai ajudou a construir os andores em madeira para transportar os santos na procissão.
Chegou o dia da festa, o arraial estava lindo, todo enfeitado com arcos e flores de papel às cores. O chão estava coberto de murta verde com o seu cheiro característico, as janelas estavam enfeitadas com colchas de seda às cores.
Foi então que a minha mãe me vestiu um fato de anjinho todo branco com asas e uma aureola na cabeça para eu acompanhar a procissão. Eu não gostei e fiz uma grande birra.
Estávamos à porta da capela, começou a sair a procissão. Os homens transportavam os andores nos seus ombros, com os respectivos santos enfeitados com ouro, dinheiro e flores naturais enquanto que outros deitavam foguetes.
Eu achei aquilo tudo muito estranho, e tive muito medo dos foguetes, principalmente quando as canas vinham cair perto de mim.
Não queria acompanhar a procissão, queria fugir dali, mas a minha mãe obrigou-me e eu fui sempre muito contrariada e com muito medo.
A seguir à procissão a minha mãe trocou-me aquele fato por outro vestido que ela tinha feito e levou-me a visitar a minha avó e as minhas tias. Aí eu fiquei muito feliz.
Hoje, passados 47 anos, recordo com saudade este dia, pois a minha avó, algumas tias e a minha mãe já partiram, no entanto, continuo a não gostar de acompanhar procissões, e a detestar foguetes.
Valentina Cachucho
1º FB
A seguir à procissão a minha mãe trocou-me aquele fato por outro vestido que ela tinha feito e levou-me a visitar a minha avó e as minhas tias. Aí eu fiquei muito feliz.
Hoje, passados 47 anos, recordo com saudade este dia, pois a minha avó, algumas tias e a minha mãe já partiram, no entanto, continuo a não gostar de acompanhar procissões, e a detestar foguetes.
Valentina Cachucho
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A Estrada da minha infância
Ainda me lembro do tempo em que corria para casa dos meus avós e ficava à espera que o meu avô fosse para a horta, para me levar com ele na sua carroça. Era uma aventura! Até à casa dos meus pais lá íamos nós aos solavancos, naquela estrada que estava a ficar degradada. Quando chovia parecia um rio de lama e era certo que nesses dias ia levar uma tareia, pois andava sempre a correr e a brincar pelas poças do caminho, e como nessa altura a roupa era lavada no tanque a minha mãe não ficava muito contente.
Na minha aldeia as crianças nunca foram muitas e, da minha idade éramos apenas quatro. Não tínhamos por hábito brincar juntos a não ser quando entrámos para a escola. Mas, quando passei para a 2ª classe, qual foi o meu espanto, havia caras novas. Mas quem eram aquelas crianças? Nunca as tinha visto!
Pois é, com o inicio da construção da auto-estrada A8, muitas pessoas vieram trabalhar e morar para a minha aldeia, devido aos estaleiros do Mota & Companhia serem muito próximos.
A partir daí muita coisa mudou, havia tanto movimento, camiões o dia todo para cima e para baixo, explosões que faziam estremecer o chão, a aldeia andava num reboliço. Lá se foi a bicicleta há tanto prometida, pois os meus pais não achavam seguro. Mas o melhor de tudo era que tinha amiguinhos novos, que não eram cá da terra e com costumes bem diferentes dos meus, era brincadeira o dia todo e, muito importante, tinham bicicleta!
Hoje quando vou de carro na A8 dou por mim a pensar: “Ai se os meus pais soubessem que eu às escondidas vinha para aqui andar de bicicleta, quando isto ainda estava em construção…!”
Diariamente devem passar milhares de pessoas nesta estrada mas poucos lhe devem dar a importância que eu lhe dou.
Liliana Inácio
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Enquanto jovem vivi numa aldeia no concelho de Abrantes e quando chegavam as férias de Verão juntávamo-nos todos em grupo ao ar livre, o que é praticamente impensável nos dias de hoje. Divertíamo-nos imenso! Há 35 anos atrás as brincadeiras eram diferentes dos dias de hoje e os perigos eram outros. Corríamos pelos campos, aproveitando para nadar na ribeira, já que a praia mais próxima ficava acerca de 100 Kms. Éramos felizes com tão pouco.
Mas, continuando a folhear as minhas memórias. Era frequente subirmos às árvores e colher fruta alheia aos vizinhos e em cima dos troncos delíciavamo-nos com os suculentos pêssegos. Geralmente existia um que ficava de vigia, não fosse surgir algum imprevisto, como aconteceu por várias vezes e que nos alertava para podermos fugir do dono zangado. Corríamos até as nossas pernas não poderem mais e só parávamos quando já não se vislumbrava o “inimigo”.
Hoje, enquanto adulto retenho na minha memória estes momentos tão únicos e se fechar os olhos quase que consigo vê-los, mas escapam-me por entre os dedos.
Actualmente, quando visito a minha aldeia recordo os ambientes vividos e os colegas com grata satisfação e ainda sinto no ar o cheiro de outrora.
Como pai e cidadão idóneo, tento contar ao meu filho algumas das peripécias infantis, evitando falar do “roubo” da fruta, já que vai contra os valores que lhe tento transmitir. Mas, o companheirismo é intemporal e ainda hoje mantenho as amizades feitas naquele tempo. Por ironia do destino muitos dos meus antigos companheiros de aventuras são hoje agentes conceituados da autoridade. O Mundo dá cada volta e o tempo é implacável e vai passando rápido demais, deixando as suas marcas. Tudo isto faz-me lembrar a célebre canção: “Ó tempo volta para trás…”.
Manuel Dias dos Santos
1ºFB
Mas, continuando a folhear as minhas memórias. Era frequente subirmos às árvores e colher fruta alheia aos vizinhos e em cima dos troncos delíciavamo-nos com os suculentos pêssegos. Geralmente existia um que ficava de vigia, não fosse surgir algum imprevisto, como aconteceu por várias vezes e que nos alertava para podermos fugir do dono zangado. Corríamos até as nossas pernas não poderem mais e só parávamos quando já não se vislumbrava o “inimigo”.
Hoje, enquanto adulto retenho na minha memória estes momentos tão únicos e se fechar os olhos quase que consigo vê-los, mas escapam-me por entre os dedos.
Actualmente, quando visito a minha aldeia recordo os ambientes vividos e os colegas com grata satisfação e ainda sinto no ar o cheiro de outrora.
Como pai e cidadão idóneo, tento contar ao meu filho algumas das peripécias infantis, evitando falar do “roubo” da fruta, já que vai contra os valores que lhe tento transmitir. Mas, o companheirismo é intemporal e ainda hoje mantenho as amizades feitas naquele tempo. Por ironia do destino muitos dos meus antigos companheiros de aventuras são hoje agentes conceituados da autoridade. O Mundo dá cada volta e o tempo é implacável e vai passando rápido demais, deixando as suas marcas. Tudo isto faz-me lembrar a célebre canção: “Ó tempo volta para trás…”.
Manuel Dias dos Santos
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Infância Colorida
Era uma vez uma menina que morava numa casa verde com os pais e o irmão mais velho na freguesia de Lousa. Aos 4 anos a menina era alegre e gostava de brincar na rua com o seu irmão e os vizinhos da sua idade. Brincavam à bola e ás escondidas. Ela andava no jardim de infãncia de Lousa mas não gostava de lá andar porque os amigos de brincadeiras não andavam lá. No jardim de infância a menina fazia desenhos sobre a sua familia pois gostava muito dela. Nas festas comia sempre arroz doce que a sua mãe fazia e nas férias vajava para Beja, no Alentejo onde moravam os avós e os tios. No Alentejo a menina brincava sempre até mais tarde com os primos pois fazia muito calor na rua.
Hoje a menina cresceu ainda é alegre e ainda mora em Lousa , na casa verde com os pais. Os avós e irmão já morreram ,os vizinhos já não moram lá, já não come arroz doce porque enjoou mas ainda vai ao Alentejo ver o resto da familia.
Essa menina era eu ,sou uma pessoa feliz porque tive uma infância feliz mas como já não tenho o meu irmão, nem os vizinhos , nem os meus avós sinto-me mais sozinha.
Rosário Duarte
Orca
ORCA
Quando falamos de memórias, penso sempre na terra dos meus Avós e das férias que lá passei. A vontade de ir nunca era muita, mas depois, a vontade de regressar era ainda menor. Orca é o nome da aldeia onde os meus avós moravam. Fica na Beira Baixa, em plena Cova da Beira, perto de Alpedrinha. Nesse tempo, entre os meus 9 e 12 anos, durante as férias escolares de Verão, os meus Pais levavam-me para casa dos meus Avós para aí passar cerca de 3 semanas.
A vida na aldeia tinha 2 momentos distintos, o primeiro decorria de 2ª a 6ª feira e era passado no “Monte”, e o segundo era o fim-de-semana passado na Orca. São os tempos passados no Monte que fazem parte das minhas memórias. O início do dia começava cedo e era dedicado a alimentar a bicharada como porcos, galinhas, vacas, ovelhas, coelhos e sei lá mais o quê. O resto do dia era passado a apanhar fruta, vegetais ou cereais, a cuidar das terras, a regar. Ajudava no que podia. O som da água a passar pelos carreiros feitos com a enxada, o cheiro dos Rosmaninhos, do Serpão, e da Segurelha, os banhos tomados num alguidar ao fim da tarde, o jantar à luz das velas ou da fogueira trazem-me uma nostalgia imensa. Talvez por apanhar a fruta das árvores e a comer, ordenhar a vaca e beber o leite ainda quente ou simplesmente porque os meus Avós já partiram, apesar de às vezes ter a sensação de os ouvir chamar-me….”Toninho”….
Às sextas-feiras à tarde voltávamos à Orca para aí passar o fim-de-semana. Numa dessas sextas-feiras quando regressávamos do Monte na carroça, puxada pela mula….o que ela sofria….lembro-me de olhar para trás e ver o céu vermelho e, mais à frente a rua cheia de sapos. O meu Avô disse-me que vinha lá trovoada. E não se enganou. Essa noite foi passada a rezar a Santa Bárbara no meio dos meus avós. No fim-de-semana limpava-se a casa da aldeia, comprava-se o que era necessário para a semana seguinte e no Domingo íamos à missa.
Para uma criança da cidade a oportunidade de conhecer e viver no campo é uma experiência fantástica. Lembro-me de na escola dizer que tinha ajudado a tosquiar ovelhas e os meus colegas perguntarem….”O que é isso?”… Saber distinguir um bode de uma ovelha, uma macieira de uma cerejeira, eram coisas que a maior parte dos meus colegas desconhecia.
Mas, como quase tudo na vida, só damos valor às coisas muito mais tarde ou depois de as perder. A casa dos meus avós e o monte ainda existem. Moram lá os meus Pais e hoje em dia, sempre que podemos, fazemos a nossa “Grande Fuga” para o campo, para descansar e para que o meu filho aprenda que sentimento é este que nos puxa até lá.
Alexandre Pereira 1º FB EFA
Alexandre Pereira 1º FB EFA
Memórias que ficam para sempre!
Quem não guarda memórias que ficam para sempre?
Liliana Marques
Recuo no tempo e com grande saudade recordo-me não de um acontecimento, mas sim de uma pessoa, o meu Avô….
Ainda hoje sinto a sua mão rugosa, de pele seca a agarrar a minha. O seu sorriso, marcado pelas rugas de quem trabalhou muito no campo. O seu cheiro a terra. A sua voz, forte mas igualmente doce. Durante o Verão, os serões eram passados no pátio da minha casa. As tardes eram uma animação, eu não precisava de mais nada apenas da companhia do meu Avô. Levava-me a passear ao campo, pelas suas terras e desafiava-me a apanhar azedas e a prová-las.
Com ele aprendi a respeitar o próximo, a rir, a sentir, a amar, a sonhar…
São muitas as palavras que eu poderia utilizar para descrevê-lo mas poucas as que podem caracterizar os sentimentos que me transmitiu e ficam para toda a vida.
Com ele aprendi a respeitar o próximo, a rir, a sentir, a amar, a sonhar…
São muitas as palavras que eu poderia utilizar para descrevê-lo mas poucas as que podem caracterizar os sentimentos que me transmitiu e ficam para toda a vida.
Hoje sou reflexo do que senti e aprendi com esse Homem e sinto-me privilegiada por ser sua neta.
Memórias que ficam para sempre. Saudade, com que saudade eu me lembro de ti, Avô.
Liliana Marques
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