Enquanto jovem vivi numa aldeia no concelho de Abrantes e quando chegavam as férias de Verão juntávamo-nos todos em grupo ao ar livre, o que é praticamente impensável nos dias de hoje. Divertíamo-nos imenso! Há 35 anos atrás as brincadeiras eram diferentes dos dias de hoje e os perigos eram outros. Corríamos pelos campos, aproveitando para nadar na ribeira, já que a praia mais próxima ficava acerca de 100 Kms. Éramos felizes com tão pouco.
Mas, continuando a folhear as minhas memórias. Era frequente subirmos às árvores e colher fruta alheia aos vizinhos e em cima dos troncos delíciavamo-nos com os suculentos pêssegos. Geralmente existia um que ficava de vigia, não fosse surgir algum imprevisto, como aconteceu por várias vezes e que nos alertava para podermos fugir do dono zangado. Corríamos até as nossas pernas não poderem mais e só parávamos quando já não se vislumbrava o “inimigo”.
Hoje, enquanto adulto retenho na minha memória estes momentos tão únicos e se fechar os olhos quase que consigo vê-los, mas escapam-me por entre os dedos.
Actualmente, quando visito a minha aldeia recordo os ambientes vividos e os colegas com grata satisfação e ainda sinto no ar o cheiro de outrora.
Como pai e cidadão idóneo, tento contar ao meu filho algumas das peripécias infantis, evitando falar do “roubo” da fruta, já que vai contra os valores que lhe tento transmitir. Mas, o companheirismo é intemporal e ainda hoje mantenho as amizades feitas naquele tempo. Por ironia do destino muitos dos meus antigos companheiros de aventuras são hoje agentes conceituados da autoridade. O Mundo dá cada volta e o tempo é implacável e vai passando rápido demais, deixando as suas marcas. Tudo isto faz-me lembrar a célebre canção: “Ó tempo volta para trás…”.
Manuel Dias dos Santos
1ºFB
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