A FARDA DO ULTRAMAR

A minha memória leva-me aos tempos em que era criança e o Carnaval era a festa do ano que mais gostava. Adorava mascarar-me e todos os anos tinha uma farda diferente… fada, espanhola, nazarena, pescadora... mas a máscara que mais memória me traz é a farda da tropa. Tenho um enorme carinho e respeito por esta farda porque está na minha família há 38 anos. Não só pela antiguidade mas por saber a quem pertenceu e pela época em que foi usada.

Quando o meu pai regressou da guerra do ultramar e trouxe a sua farda, a minha mãe decidiu encurtá-la incluindo os acessórios como o cinto, boina, quico e as divisas de 1º cabo. Isto, para que a minha irmã a pudesse vestir no Carnaval e, assim, ficar com uma recordação daqueles tempos em que se vivia na incerteza se ele regressaria são e salvo. Hoje agradecemos a Deus pelo meu pai ter regressado do ultramar (caso contrário não estaria aqui a contar a minha memória) pelo menos sem problemas físicos porque os traumas, esses, ainda hoje vivem com ele.

Olhando para trás é engraçado ver que esta farda já vestiu 3 gerações da minha família. É já no próximo ano de 2011 que o meu filhote vai ter o privilégio de vestir a farda do avô. Esta será sempre mais do que uma simples recordação. É um bem precioso que pretendo passar aos meus filhos, netos, bisnetos...para que nunca passem aquilo que o meu pai passou.


1ª FB
Mónica Janeiro
 

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