As minhas minhas memórias de infância salienta-se não um acontecimento, mas sim uma pessoa… Os Pais, os Avós, os Tios, todos são marcantes na nossa vida, mas nas circunstâncias da minha infância a minha memória mais doce é de uma tia, muito especial para mim, que infelizmente já não faz parte do meu dia-a-dia. Ela tomava conta de mim, enquanto os meus pais estavam a trabalhar.
Resistiu a uma história de vida marcante e, no entanto, manteve sempre o seu sorriso doce, cheio de sentimentos, sempre com bons conselhos. E apesar da sua aparência frágil, tinha uma garra de ferro…
Quando fecho os olhos, os pensamentos voltam atrás no tempo… é como se estivesse a reviver esses momentos… lembro-me dos seus lindos cabelos brancos… do seu lindo sorriso… sinto o cheiro delicioso da sua pele e de como era macia… sinto a forte abraço que me confortava sempre que precisava. Adorava agarrar-me ao seu pescoço e dar-lhe beijos… beijos… beijos. Não consigo evitar estas lágrimas de saudades, do calor do seu colo, que foi tantas vezes o meu embalo e tantas vezes me retirou a dor.
Lembro-me em especial de uma história… A minha tia tomava conta de mim e de mais duas primas minhas e, quando era a hora de dormir a sesta eu, irrequieta como sempre, não dormia nem deixava as minhas primas dormir. Então a minha tia tirava-me da cama e levava-me para a sala, sentava-me ao seu colo e cantava para mim até eu adormecer.
A criança que fui, a infância que vivi, todo este carinho que recebi faz-me ter hoje uma vontade enorme de retribuir todas essas coisas boas... ajudou-me a ser mais carinhosa e tolerante, mais compreensiva com os outros e consequentemente mais feliz.
Li em algures uma expressão que adorei e penso que não haveria uma melhor forma de terminar… “O tempo que passou, se faz presente, reconheço na pessoa que sou a que fui, na interacção com os lugares, com as pessoas e seus saberes… com a vida. “
Manuela Rolo 1º FB

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