Ainda me lembro do tempo em que corria para casa dos meus avós e ficava à espera que o meu avô fosse para a horta, para me levar com ele na sua carroça. Era uma aventura! Até à casa dos meus pais lá íamos nós aos solavancos, naquela estrada que estava a ficar degradada. Quando chovia parecia um rio de lama e era certo que nesses dias ia levar uma tareia, pois andava sempre a correr e a brincar pelas poças do caminho, e como nessa altura a roupa era lavada no tanque a minha mãe não ficava muito contente.
Na minha aldeia as crianças nunca foram muitas e, da minha idade éramos apenas quatro. Não tínhamos por hábito brincar juntos a não ser quando entrámos para a escola. Mas, quando passei para a 2ª classe, qual foi o meu espanto, havia caras novas. Mas quem eram aquelas crianças? Nunca as tinha visto!
Pois é, com o inicio da construção da auto-estrada A8, muitas pessoas vieram trabalhar e morar para a minha aldeia, devido aos estaleiros do Mota & Companhia serem muito próximos.
A partir daí muita coisa mudou, havia tanto movimento, camiões o dia todo para cima e para baixo, explosões que faziam estremecer o chão, a aldeia andava num reboliço. Lá se foi a bicicleta há tanto prometida, pois os meus pais não achavam seguro. Mas o melhor de tudo era que tinha amiguinhos novos, que não eram cá da terra e com costumes bem diferentes dos meus, era brincadeira o dia todo e, muito importante, tinham bicicleta!
Hoje quando vou de carro na A8 dou por mim a pensar: “Ai se os meus pais soubessem que eu às escondidas vinha para aqui andar de bicicleta, quando isto ainda estava em construção…!”
Diariamente devem passar milhares de pessoas nesta estrada mas poucos lhe devem dar a importância que eu lhe dou.
Liliana Inácio
1º FB
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