Todos os anos faz-se uma festa em honra da Nossa Senhora da Salvação em Vila-de-Rei, Bucelas.
Estávamos em Agosto de 1963. A minha mãe costurou à mão um vestido novo para eu levar à festa e enrolou-me papelinhos no cabelo para me fazer caracóis e o meu pai ajudou a construir os andores em madeira para transportar os santos na procissão.
Chegou o dia da festa, o arraial estava lindo, todo enfeitado com arcos e flores de papel às cores. O chão estava coberto de murta verde com o seu cheiro característico, as janelas estavam enfeitadas com colchas de seda às cores.
Foi então que a minha mãe me vestiu um fato de anjinho todo branco com asas e uma aureola na cabeça para eu acompanhar a procissão. Eu não gostei e fiz uma grande birra.
Estávamos à porta da capela, começou a sair a procissão. Os homens transportavam os andores nos seus ombros, com os respectivos santos enfeitados com ouro, dinheiro e flores naturais enquanto que outros deitavam foguetes.
Eu achei aquilo tudo muito estranho, e tive muito medo dos foguetes, principalmente quando as canas vinham cair perto de mim.
Não queria acompanhar a procissão, queria fugir dali, mas a minha mãe obrigou-me e eu fui sempre muito contrariada e com muito medo.
A seguir à procissão a minha mãe trocou-me aquele fato por outro vestido que ela tinha feito e levou-me a visitar a minha avó e as minhas tias. Aí eu fiquei muito feliz.
Hoje, passados 47 anos, recordo com saudade este dia, pois a minha avó, algumas tias e a minha mãe já partiram, no entanto, continuo a não gostar de acompanhar procissões, e a detestar foguetes.
Valentina Cachucho
1º FB
A seguir à procissão a minha mãe trocou-me aquele fato por outro vestido que ela tinha feito e levou-me a visitar a minha avó e as minhas tias. Aí eu fiquei muito feliz.
Hoje, passados 47 anos, recordo com saudade este dia, pois a minha avó, algumas tias e a minha mãe já partiram, no entanto, continuo a não gostar de acompanhar procissões, e a detestar foguetes.
Valentina Cachucho
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