Na minha infância, pelos meus 4, 5 anos, costumava ir passar férias a casa dos meus tios, no Alentejo. Eles tinham casa na vila, mas viviam como caseiros num monte alentejano, sem água canalizada, nem luz eléctrica. Lembro-me que a minha tia, conservava o leite acabado de tirar das ovelhas, num alguidar de barro com água fresca tirada do poço! Em frente à casa havia uma figueira onde, o meu tio, fazia um baloiço com cordas e uma tábua velha para as crianças. Tomávamos também, banho num tanque com água de uma nascente ali perto e o que me fazia mais confusão eram as abelhas das colmeias que o meu tio tratava e que não nos largavam!
Uma dessas vezes em que fui para lá passar férias, tinha um dente a abanar e a minha mãe recomendou-me que o guardasse, quando ele caisse, uma vez que era o primeiro dente .Um belo dia, fui com os meus tios regar a horta, como era costume ao final do dia, porque já não fazia tanto calor e entretida que estava a abrir e fechar os rêgos para que a água passasse, quando de repente me cai o dente, mesmo no momento em que abro o rêgo para a àgua passar! Foi um desespero, uma berraria que fiz porque o dente, que tanto a minha mãe me tinha pedido para guardar tinha ido com a corrente! Mas nada havia a fazer, pois a àgua tinha-o engolido, terra adentro!
É com muitas saudades que recordo as noites sem televisão e ouvir os lobos uivarem, quando me ia deitar! E tenho muita pena de que os meus filhos, hoje não possam ter uma férias assim, saudáveis, sem darem importância à televisão, aos jogos, ao computador, mas... os tempos são outros!
Ana Lachica Figueiredo
1º FB

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